Um blog sobre Itália by Ana Borralho

La Bella Italia

Panettone vs Bolo Rei

Posted by ana on 16 de Dezembro de 2011 in Tradição with 1 Comment


Panettone

Não é possível falar de Natal sem falar de Bolo Rei, sendo quase presença obrigatória em todas as mesas Portuguesas na época natalícia, mas tal não existe em Itália.

Em Itália o bolo obrigatório em todas as mesas, nesta época, tem por nome Panettone. É de origem milanesa, e podem vê-lo na fotografia acima.Panettone

O original leva passas e as únicas frutas cristalizadas são de  limão e de laranja, é muito fofo devido ao tempo de fermentação. Vendem-se normalmente em caixas de papel como mostra a foto à direita. Os italianos gostam de vender/comprar bolos desta forma :)

Nunca tinha provado e até já me tinha informado qual o que devia comprar, não podia falar sobre ele sem o provar. Não foi necessário pois o meu amigo Huguito comprou um gourmet e eu não me fiz rogada, comemos e trocámos impressões acerca de tal iguaria.

É fofo? É. É doce? Sim. É bom? Come-se :P Na minha opinião não se pode comparar ao nosso Bolo Rei, porque não tem comparação possível, o nosso é muuuuiiiiiitooooo melhor!

Se os Italianos o comem só porque é tradição? Não sei. Eu não volto a comer. Não fiquei surpreendida, afinal de contas já estava à espera.

Para terminar deixo duas fotos de Bolo Rei e os desejos de um feliz Natal e de uma excelente passagem de ano.

Bolo Rei Bolo Rei

Fiori di zucca

Posted by ana on 11 de Dezembro de 2011 in Receitas with 2 Comments


Fiori di Zucca

Fiori di Zucca

Há alimentos que antes de vir para Itália não os consumia, a Fiori di zucca é um deles. A primeira vez experimentei foi num Restaurante e foi uma agradável surpresa ;) . Fiori di Zucca quer dizer flor de abobora mas também são utilizadas flores de courgette que em italiano se chama zucchini, na verdade zucchini traduzido à letra é abobrinha :) . Estas flores além de serem bem bonitas são também muito saborosas.

Na semana passada comprámos umas e decidimos meter mãos à obra. Existem várias maneiras de cozinhar esta flor, mas normalmente são servidas fritas. Mas como saudáveis que somos, decidimos que as nossas não seriam fritas mas sim feitas no forno. Depois de alguma pesquisa na Internet, o Bruno achou um vídeo com uma receita, como sempre, ele decidiu dar largas à imaginação e re-inventou um pouco… (sim foi tudo feito por ele eu só dei alguns palpites e dicas).

Fiori di zucca

Fiori di zucca

Aqui vai a receita e toda a descrição é feita pelo Chef :P

10 Fiori di zucca
Uma mozarella média/grande
2 ou 3 fatias de presunto
3 Ovos
Pão ralado
Farinha
2 colheres de queijo parmesão
Noz moscada
Sal

Tira-se a estigma (caule interior da flor que contém pólen) e lava-se as flores de zucca numa taça com água – não meter debaixo de água corrente, porque se destrói a flor.
Corta-se a mozarella em pedacinhos pequenos, corta-se o presunto em bocados ainda mais pequenos, misturam-se os dois. Será utilizado para recheio das flores. Abrir a flor meter o recheio e fechar – fazer isto a todas as flores.

Numa taça mistura-se ovos, queijo parmesão, uma pitadinha de sal, noz moscada – reserva-se.

Eu tinha pouco pão ralado (usei um resto de pão de alho que tinha feito) juntei farinha ao pão e meti na picadora para que ficasse tudo com a mesma granularidade – colocar noutra taça (eu uso muitas taças e tacinhas).

Num tabuleiro, para levar ao forno, untar o fundo com um pouco de azeite (podem usar margarina ou outra gordura).

Agora vamos dar inicio à nossa linha de montagem :)
Passar a flor de zucca recheada pelos ovos batidos, rebolar no pão ralado e meter no tabuleiro.
Repetir enquanto tiverem flores.

Passar um fio de azeite por cima das flores de zucca, sejam generosos, mas não é preciso submergir as flores em azeite.
Levar ao forno, ~240 graus por cerca de 20 minutos, perto do fim rodar as flores de zucca. Quando a flores estiverem douradas, e a mozarella derretida, estão boas para serem retiradas e comidas!!!

Buon appetito

Orvieto

Posted by ana on 1 de Dezembro de 2011 in Viagens with No Comments


No passado domingo saímos de casa cedinho com o roteiro todo programado (como quase sempre). Nesta altura do ano os dias são curtos :( não queremos andar a correr mas queremos marcar com um visto mais uma cidade italiana.

Orvieto é uma cidade pequena a pouco mais de uma hora de Roma. A cidade situa-se majestosamente acima do vale, num grande pedaço de rocha vulcânica. Foi uma grande potencia regional na Idade Média, mas também uma das principais cidades Etruscas uma dezena de séculos antes de Cristo. Não tem muito para ver, mas o que tem é bastante interessante.

Planta do Pozzo di San Patrizio

Planta do Pozzo di San Patrizio

O que me levou a querer conhecer esta pequena cidade tem por nome Pozzo di San Patrizio (Poço de São Patrício), tem mais de  53 metros de profundidade e mais de 13 de diâmetro. É iluminado por 70 janelas e tem duas escadas em espiral, cada uma com 248 degraus. Uma das escadarias servia para os animais de carga descerem, a outra para eles subirem, as duas nunca se encontram de modo a assegurar a fluidez da circulação em ambos os sentidos. Já tinha lido acerca das escadas, mas só no local deu para perceber o quanto é de génio a forma em que foram construidas as duas escadas, é como se se entrelaçassem uma na outra. No fundo do poço existe uma ponte que passa a poucos centímetros da água onde é feita a transição de uma escada para a outra.

Este poço foi mandado construir pelo Papa Clemente VII em 1527, quando se refugiou em Orvieto, depois do brutal Saque de Roma provocado por Carlos V, Imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Clemente VII receou que as reservas de águas fossem insuficientes para abastecer as suas tropas em caso de cerco prolongado.

Orvieto não se resume ao poço, o Duomo (Catedral) também é único, mais pelo seu exterior do que pelo seu interior. A fachada é soberba, muito colorida, com cores vivas, apesar de dominar a cor dourada, ao centro uma rosácea, algumas estátuas e 3 portas de bronze. As palavras não chegam para a descrever e nem as fotos fazem jus à sua beleza. Li que a fachada ainda é mais bonita ao amanhecer e ao entardecer…não tive o prazer de confirmar, mas acredito que seja verdade. Quanto ao interior, agora despojado das suas peças que se encontram agora em museus (sei lá porquê), tem as paredes com frescos, mas infelizmente em mau estado. Li que se pagava para entrar eu não paguei nada, ainda bem que não o tive de fazer, pois no mínimo ficaria um pouco deprimida com o dinheiro gasto.

Esta cidade também é conhecida pela cidade que cresceu por debaixo dela própria, por cada casa construida existe pelo menos uma  gruta escavada por baixo. Estas cavidades foram iniciadas pelos Etruscos e foram alargadas durante de milhares de anos. Existe uma parte aberta ao público…não resisti…fiz a visita guiada, foi interessante, mas nada de espetacular.

Antes de voltarmos para casa fomos ainda visitar a necrópole etrusca, sim fomos ver um cemitério, é o terceiro cemitério etrusco que visitámos em Itália. Orivieto estava alí mesmo no topo da colina – os etruscos separavam as cidades dos vivos das cidades dos mortos.
Mais do que as tumbas em si, foi a área envolvente que nos agradou. As cores Outonais estavam presentes nas folhas das árvores, muitas caídas, algumas ainda nos ramos, tal como os muitos diospireiros carregados que se encontravam mesmo ao nosso lado. Em italiano os dióspiros chamam-se cachi.

Metemo-nos no carro e voltamos a casa com a sensação de objetivo cumprido.