Um blog sobre Itália by Ana Borralho

La Bella Italia

Pisa

Posted by ana on 3 de Junho de 2012 in Viagens with No Comments


Visitámos Pisa num “entretanto” do passeio às Cinque Terre, nesse dia estava a chover bastante e o mar estava completamente revolto, o que estragava o nosso plano de visitar as Cinque Terre por via marítima. Apesar de saber que não havia muito para ver, e da distância fomos a Pisa. Era uma cidade que gostava de conhecer, entre muitas outras de Itália, … nem que fosse para dizer aos meus netos que já tinha visto uma das torres mais famosas do mundo :D .

Como quase sempre que passeamos, o tempo estava um mimo, bazinga*!! Quando chegámos a Pisa chovia um pouco, quando nos viemos embora o céu estava a cair sobre as nossas cabeças. De recordação temos um chapéu de chuva que alguma água amparou.  Para além do chapéu comprámos umas capas impermeáveis de plástico, mas estas de pouco nos valeram…. quando chegámos ao carro apenas o Gui estava seco, eu e o Bruno parecíamos uns pintos completamente banhados :P . Não ficou na nossa lista para revisitarmos, mas dificilmente a esqueceremos, nem que seja pelas peripécias ;) . Se não é fácil visitar uma cidade debaixo de chuva, tudo se torna mais “hilariante” com um miúdo que ainda não tinha um ano ;) .

A nossa visita resumiu-se à Piazza del Duomo mais conhecida por Campo dei Miracoli, um campo aberto onde se encontram os quatro edifícios mais conhecidos de Pisa.

A imagem é uma foto do Campo dos Milagres, à esquerda a famosa Torre de Pisa, ao centro o Duomo, ao fundo o Battistero e do lado direito o Camposanto,  edifício retangular com uma área central aberta ao céu.

Assim que entrámos neste espaço e depois de tirarmos umas fotografias e de termos feito umas filmagens, fomos à procura da bilheteira ;) . As visitas  guiadas à torre são de meia em meia hora. O grupo de cada visita é  constituído por 30 pessoas. Crianças com menos de 8 anos não podem entrar. Só haviam vagas para visitar a Torre daí a 4 horas.  Não podendo o Gui ir connosco, o Bruno decidiu que não ia, comprámos um bilhete só para mim, na minha cabeça era loucura ir a Pisa e não subir à Torre ;) .

Depois de almoço, fomos ver a catedral, que  é sem dúvida digna de visita, tão bonita por dentro como por fora. Aqui ficam algumas fotos :D .

Pormenor da Catedral de Pisa

O batistério foi o nosso refugio da chuva enquanto esperávamos pela hora da visita à torre e onde o Gui e o pai esperaram pacientemente pelo meu regresso dessa mesma visita.

Batisterio de Pisa

Dentro do Batisterio de Pisa

 

Antes de ir subir ao ponto mais alto da torre de Pisa, fui fazer uma visita rápida ao Camposanto, mas assim que coloquei o pé fora fiquei toda molhada em segundos.  Foi neste estado que segui caminho.

Camposanto Pisa

O Camposanto é conhecido pelos seus frescos e também pela sua parcial destruição durante a segunda guerra mundial.

Finalmente a subida à Torre de Pisa :) . A sensação de subir a esta torre é muito estranha e engraçada, nem sei se vou conseguir descrever bem ;) . Tentem imaginar subir uma escada em caracol que está inclinada…

Tendo por base a figura do lado direito, quando se está a subir a torre e o estamos a fazer numa zona da parte da frente da foto a subida é mais íngreme do que quando a estamos a subir do lado oposto. Da parte da frente estamos a ir “contra” a inclinação das escadas, na parte de trás estamos a ir “a favor”.

Quando estamos a passar numa zona do lado direito da foto é normal o desequilibro para a parede exterior da torre, enquanto do lado oposto a tendência é aproximar-nos para a parede interna da torre.

A subir a torre estamos constantemente a seguir aos “esses”, ora pendemos para a direita, ora pendemos para a esquerda, e as escadas estão gastas precisamente dessa forma: centro, esquerda, centro, direita, centro, esquerda … vejam a foto das escadas gastas apenas de um lado para ver se percebem melhor :) .

 Escadas da Torre de Pisa

Tirei poucas fotos de cima da Torre…bem me arrependo, mas já não há nada a fazer ;) .

Vista da Torre de Pisa

Vista da Torre de Pisa

Vista da Torre de Pisa

Voltei a descer e fui ao encontro dos meus homens, o Gui dormia no carrinho, tapámos-o com uma das capas de plástico e em passo rápido abandonámos o campo dos milagres ;) .

Pisa

*Estava a ser irónica, para quem não vê o Big Bang Theory.

Orvieto

Posted by ana on 1 de Dezembro de 2011 in Viagens with No Comments


No passado domingo saímos de casa cedinho com o roteiro todo programado (como quase sempre). Nesta altura do ano os dias são curtos :( não queremos andar a correr mas queremos marcar com um visto mais uma cidade italiana.

Orvieto é uma cidade pequena a pouco mais de uma hora de Roma. A cidade situa-se majestosamente acima do vale, num grande pedaço de rocha vulcânica. Foi uma grande potencia regional na Idade Média, mas também uma das principais cidades Etruscas uma dezena de séculos antes de Cristo. Não tem muito para ver, mas o que tem é bastante interessante.

Planta do Pozzo di San Patrizio

Planta do Pozzo di San Patrizio

O que me levou a querer conhecer esta pequena cidade tem por nome Pozzo di San Patrizio (Poço de São Patrício), tem mais de  53 metros de profundidade e mais de 13 de diâmetro. É iluminado por 70 janelas e tem duas escadas em espiral, cada uma com 248 degraus. Uma das escadarias servia para os animais de carga descerem, a outra para eles subirem, as duas nunca se encontram de modo a assegurar a fluidez da circulação em ambos os sentidos. Já tinha lido acerca das escadas, mas só no local deu para perceber o quanto é de génio a forma em que foram construidas as duas escadas, é como se se entrelaçassem uma na outra. No fundo do poço existe uma ponte que passa a poucos centímetros da água onde é feita a transição de uma escada para a outra.

Este poço foi mandado construir pelo Papa Clemente VII em 1527, quando se refugiou em Orvieto, depois do brutal Saque de Roma provocado por Carlos V, Imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Clemente VII receou que as reservas de águas fossem insuficientes para abastecer as suas tropas em caso de cerco prolongado.

Orvieto não se resume ao poço, o Duomo (Catedral) também é único, mais pelo seu exterior do que pelo seu interior. A fachada é soberba, muito colorida, com cores vivas, apesar de dominar a cor dourada, ao centro uma rosácea, algumas estátuas e 3 portas de bronze. As palavras não chegam para a descrever e nem as fotos fazem jus à sua beleza. Li que a fachada ainda é mais bonita ao amanhecer e ao entardecer…não tive o prazer de confirmar, mas acredito que seja verdade. Quanto ao interior, agora despojado das suas peças que se encontram agora em museus (sei lá porquê), tem as paredes com frescos, mas infelizmente em mau estado. Li que se pagava para entrar eu não paguei nada, ainda bem que não o tive de fazer, pois no mínimo ficaria um pouco deprimida com o dinheiro gasto.

Esta cidade também é conhecida pela cidade que cresceu por debaixo dela própria, por cada casa construida existe pelo menos uma  gruta escavada por baixo. Estas cavidades foram iniciadas pelos Etruscos e foram alargadas durante de milhares de anos. Existe uma parte aberta ao público…não resisti…fiz a visita guiada, foi interessante, mas nada de espetacular.

Antes de voltarmos para casa fomos ainda visitar a necrópole etrusca, sim fomos ver um cemitério, é o terceiro cemitério etrusco que visitámos em Itália. Orivieto estava alí mesmo no topo da colina – os etruscos separavam as cidades dos vivos das cidades dos mortos.
Mais do que as tumbas em si, foi a área envolvente que nos agradou. As cores Outonais estavam presentes nas folhas das árvores, muitas caídas, algumas ainda nos ramos, tal como os muitos diospireiros carregados que se encontravam mesmo ao nosso lado. Em italiano os dióspiros chamam-se cachi.

Metemo-nos no carro e voltamos a casa com a sensação de objetivo cumprido.