Um blog sobre Itália by Ana Borralho

La Bella Italia

Orvieto

Posted by ana on 1 de Dezembro de 2011 in Viagens with No Comments


No passado domingo saímos de casa cedinho com o roteiro todo programado (como quase sempre). Nesta altura do ano os dias são curtos :( não queremos andar a correr mas queremos marcar com um visto mais uma cidade italiana.

Orvieto é uma cidade pequena a pouco mais de uma hora de Roma. A cidade situa-se majestosamente acima do vale, num grande pedaço de rocha vulcânica. Foi uma grande potencia regional na Idade Média, mas também uma das principais cidades Etruscas uma dezena de séculos antes de Cristo. Não tem muito para ver, mas o que tem é bastante interessante.

Planta do Pozzo di San Patrizio

Planta do Pozzo di San Patrizio

O que me levou a querer conhecer esta pequena cidade tem por nome Pozzo di San Patrizio (Poço de São Patrício), tem mais de  53 metros de profundidade e mais de 13 de diâmetro. É iluminado por 70 janelas e tem duas escadas em espiral, cada uma com 248 degraus. Uma das escadarias servia para os animais de carga descerem, a outra para eles subirem, as duas nunca se encontram de modo a assegurar a fluidez da circulação em ambos os sentidos. Já tinha lido acerca das escadas, mas só no local deu para perceber o quanto é de génio a forma em que foram construidas as duas escadas, é como se se entrelaçassem uma na outra. No fundo do poço existe uma ponte que passa a poucos centímetros da água onde é feita a transição de uma escada para a outra.

Este poço foi mandado construir pelo Papa Clemente VII em 1527, quando se refugiou em Orvieto, depois do brutal Saque de Roma provocado por Carlos V, Imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Clemente VII receou que as reservas de águas fossem insuficientes para abastecer as suas tropas em caso de cerco prolongado.

Orvieto não se resume ao poço, o Duomo (Catedral) também é único, mais pelo seu exterior do que pelo seu interior. A fachada é soberba, muito colorida, com cores vivas, apesar de dominar a cor dourada, ao centro uma rosácea, algumas estátuas e 3 portas de bronze. As palavras não chegam para a descrever e nem as fotos fazem jus à sua beleza. Li que a fachada ainda é mais bonita ao amanhecer e ao entardecer…não tive o prazer de confirmar, mas acredito que seja verdade. Quanto ao interior, agora despojado das suas peças que se encontram agora em museus (sei lá porquê), tem as paredes com frescos, mas infelizmente em mau estado. Li que se pagava para entrar eu não paguei nada, ainda bem que não o tive de fazer, pois no mínimo ficaria um pouco deprimida com o dinheiro gasto.

Esta cidade também é conhecida pela cidade que cresceu por debaixo dela própria, por cada casa construida existe pelo menos uma  gruta escavada por baixo. Estas cavidades foram iniciadas pelos Etruscos e foram alargadas durante de milhares de anos. Existe uma parte aberta ao público…não resisti…fiz a visita guiada, foi interessante, mas nada de espetacular.

Antes de voltarmos para casa fomos ainda visitar a necrópole etrusca, sim fomos ver um cemitério, é o terceiro cemitério etrusco que visitámos em Itália. Orivieto estava alí mesmo no topo da colina – os etruscos separavam as cidades dos vivos das cidades dos mortos.
Mais do que as tumbas em si, foi a área envolvente que nos agradou. As cores Outonais estavam presentes nas folhas das árvores, muitas caídas, algumas ainda nos ramos, tal como os muitos diospireiros carregados que se encontravam mesmo ao nosso lado. Em italiano os dióspiros chamam-se cachi.

Metemo-nos no carro e voltamos a casa com a sensação de objetivo cumprido.